Quadro de Paula Rego: Branca de Neve Engole a Maçã envenenada - 1995
O quadro de Paula Rego mostra-nos um sofrimento impiedoso e já longo, numa sala.
Esse sofrimento é realçado numa posição decomposta apesar de tudo tenta compor com uma mão puxando a saia, com a outra mão alivia o sofrimento causado pela passagem da maçã e do seu veneno puxando a pele do pescoço quase até ao peito.
No sofrimento profundo, só restam os pés para escrever o seu sofrimento. Em que um deles reforça a integridade e o outro despe o sofá negro tira-lhe um pouco da cobertura e é como saísse várias coberturas de outros sofás negros. A esbulha do sofá, só não, é mais profundo porque é indestrutível o seu esqueleto. A cabeça pousa em sofrimento sobre um pequeno pedaço branco e de uma manta azul-marinho manchado de vermelho. Onde pousa seu cabelo com uma fita vermelha enlaçada, no outro lado está a cobrir uma manta vermelha cor de sangue e esta assenta sobre um chão vermelho pálido. Resta uma pequena parte de uma parede branca.
Esta não será a posição em que muitos de nós se encontra. A maçã foi-nos imposta e empurrada pela garganta como não tivesse volta nem houvesse culpados.
Quantos heróis já não existiram que nos deram a comer a maçã envenenada e nós ficamos mal. Pouco tempo depois ou um pouco mais tarde voltamos a ter heróis de presente em punho.
Precisamos de algo muito forte e verdadeiro, que nos faça acreditar que é podemos vencer o veneno da maçã.

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